domingo, 14 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Entenda a evolução da dívida pública brasileira, valor atual ultrapassa R$ 1,3 trilhão


Breve documentário mostra de forma simples e de fácil entendimento a evolução da dívida brasileira desde o ano de 2003. Assista a íntegra do vídeo, você certamente vai se surpreender com os fatos apresentados e comentados por especialistas, que com propriedade mostram e demonstram os absurdos valores cada vez maiores da dívida pública brasileira. Muitos não entendem, outros simplesmente não se aprofundaram sobre o assunto e acham que o país ainda é aquela figura pomposa pegada pelo governo, que empresta dinheiro para o FMI, como se o país estivesse com as finanças muito bem. Infelizmente a realidade é bem diferente.
Breve documentário mostra de forma simples e de fácil entendimento a evolução da dívida brasileira desde o ano de 2003. Assista a íntegra do vídeo, você certamente vai se surpreender com os fatos apresentados e comentados por especialistas, que com propriedade mostram e demonstram os absurdos valores cada vez maiores da dívida pública brasileira. Muitos não entendem, outros simplesmente não se aprofundaram sobre o assunto e acham que o país ainda é aquela figura pomposa pegada pelo governo, que empresta dinheiro para o FMI, como se o país estivesse com as finanças muito bem. Infelizmente a realidade é bem diferente.

Defensores públicos cobram mudança na lei para reduzir prisões provisórias


O elevado número de pessoas presas provisoriamente no Brasil, objeto de discussãoem reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas(ONU), ontem (10), também preocupa os defensores públicos que atuam no país. Eles apontam que a solução pode ser amenizada com a adoção de medidas alternativas à privação de liberdade e com a chamada audiência de custódia, que consiste na apresentação imediata da pessoa detida à autoridade judicial, de modo que ela possa avaliar a necessidade da prisão.
Conforme entendimento da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef), a audiência de custódia não está prevista no Código de Processo Penal, mas é um instrumento que já poderia ser utilizado, visto constar em convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, a exemplo do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, além de resoluções da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre a situação carcerária no Brasil. No caso do pacto, o texto determina que “qualquer pessoa presa ou encerrada em virtude de infração penal deverá ser conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por lei a exercer funções judiciais”.
Excesso de presos provisórios também preocupa defensores públicosArquivo Agência Brasil
Para garantir o direito a essa audiência, contudo, a associação e outras organizações defendem o Projeto de Lei 554 de 2011, de autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que altera artigo do Código de Processo Penal e inclui o instrumento na legislação brasileira. O projeto estabelece que “no prazo máximo de 24 horas depois da prisão, o preso deverá ser conduzido à presença do juiz competente, ocasião em que deverá ser apresentado o auto de prisão em flagrante acompanhado de todas as oitivas colhidas e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública”.
Atualmente, o PL está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, após ser aprovado tanto pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) quanto pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), onde o substitutivo apresentado pelo senador João Capiberibe (PSB–PA) foi aprovado por unanimidade. O texto acrescenta que o preso deverá ser acompanhado por um advogado ou defensor público; que também deverá ser apresentado laudo do exame de corpo de delito e que, diante de possíveis ocorrências, o juiz deverá adotar “medidas cabíveis para a preservação da integridade da pessoa presa e a apuração das violações apontadas”.
Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) de 2013 apontam que 215.639 das 574.027 pessoas que compõem a população carcerária brasileira estão detidas provisoriamente. O número equivale a quase 40% do total de presos. Para o presidente da Anadef, Dinarte da Páscoa Freitas, a adoção da audiência de custódia “poderia impactar diretamente a situação dos presos provisórios, pois, a partir do momento em que os juízes têm contato com os detidos, eles podem avaliar as condições pessoais do preso provisório”, defende.
Segundo o defensor, isso não vem ocorrendo no Brasil. Há casos em que o preso fica até quatro anos sem audiência com um juiz, o que “vem dificultando o contato do magistrado com o preso e impossibilitando que esse preso tenha amplo acesso à Justiça”. Dinarte Freitas também afirma que a situação atual prejudica o trabalho da defensoria “e a relação humanizada que a gente tenta trazer ao sistema carcerário”. Segundo ele, o objetivo é "permitir que a gente possa diminuir o encarceramento provisório”.
http://agencia-brasil.jusbrasil.com.br/noticias/138924520/defensores-publicos-cobram-mudanca-na-lei-para-reduzir-prisoes-provisorias?utm_campaign=newsletter-daily_20140912_84&utm_medium=email&utm_source=newsletter

BC sobe para 16,8%

BC sobe para 16,8% previsão de reajuste da energia elétrica neste ano

Expectativa anterior era de um reajuste de 14% na energia em 2014.
Copom passou a prever queda maior, de 6,3%, na telefonia neste ano.


O Banco Central subiu de 14% para 16,8% sua estimativa de reajuste dos preços da energia elétrica neste ano, informação que consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que manteve os juros estáveis em 11% ao ano na semana passada pela terceira vez consecutiva –, divulgada nesta quinta-feira (11).
O reajuste da energia previsto pelo BC já é mais do que o dobro do estimado pela própria instituição no início deste ano. Em janeiro de 2014, o Banco Central previa que o aumento da eletricidade seria de 7,5%, valor que foi mantido em fevereiro. Em abril, já estimava uma alta de 9,5% e, em maio, passou para 11,5%, avançando para 14% em julho.
Falta de chuvas
O setor energético passa por uma situação mais complicada neste ano por conta da falta de chuvas. Em situações normais, quase toda a energia consumida no Brasil vem de hidrelétricas. No início desde ano, porém, os reservatórios das principais usinas do país baixaram muito devido à falta de chuvas e, para poupar água, todas as termelétricas disponíveis estão sendo usadas.

Porém, como as térmicas funcionam por meio da queima de combustíveis (óleo, gás, biomassa), a energia gerada por elas costuma ser mais cara e isso impacta a conta de luz. A queda no nível dos reservatórios também levou a patamar recorde o preço da energia no mercado à vista, para onde recorrem as distribuidoras que não têm sob contrato, a preços fixos, toda a energia que precisam para atender aos seus consumidores.
Pela regra, tanto o custo extra com as térmicas quanto com a compra de energia no mercado à vista deveriam ser pagos pelas distribuidoras nesse primeiro momento. Depois, elas seriam compensadas por meio de reajustes que acontecem todos os anos. Mas alegaram não ter recursos suficientes, e o governo lançou um plano de socorro.
O governo federal se comprometeu a colocar R$ 13 bilhões no setor elétrico neste ano com recursos orçamentários e já admite que o total de empréstimos bancários às empresas pode chegar a R$ 17,8 bilhões. Este valor para socorrer as distribuidoras será repassado às contas de luz de todos os brasileiros a partir de 2015.
Telefonia
O Banco Central também informou na ata do Copom que suas estimativas contemplam redução de 6,3% nas tarifas de telefonia neste ano. Em julho, a instituição previa que a telefonia teria uma queda menor em 2014: 3,8%.

Preços administrados
Na ata do Copom divulgada nesta quinta-feira, o Banco Central também manteve em 5% sua previsão de reajuste dos preços administrados neste ano. Para 2015, a estimativa de alta dos administrados foi mantida em 6%. Para 2016, a expectativa da autoridade monetária para estes preços subiu de 4,8% para 4,9%.

Os preços administrados, que geralmente sobem todos os anos, são: ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos, telefone fixo, telefone celular, telefone público e pedágio. Aqueles que não têm reajuste pré-determinado anualmente, mas que sobem de vez em quando, são: gasolina, álcool combustível, gás de bujão, óleo diesel, ônibus urbano, metrô, trem e correios.

CPI não precisa de autorização


CPI não precisa de autorização para ouvir Costa, diz ministro Zavascki

CPI mista que investiga Petrobras pediu permissão para ouvir ex-diretor. 
Segundo ministro do Supremo, CPIs têm autonomia para convocar. 


O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta sexta-feira (12) que a CPI mista da Petrobras não precisa de autorização judicial para convocar o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa a depor.
A decisão de Zavascki é resposta a um ofício enviado nesta quinta (11) pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), no qual ele pediu autorização do Supremo para ouvir Costa, que está preso em Curitiba. A CPI marcou para a próxima quarta o depoimento do ex-diretor.
“A convocação de pessoas para prestar depoimento perante comissões parlamentares de inquérito constitui prerrogativa constitucional dessas comissões, razão pela qual a sua implementação independe de prévia autorização judicial. Portanto, sob esse aspecto, nenhuma providência especial cumpre a este STF determinar em face da convocação aqui noticiada”, afirmou o ministro.
Costa fez um acordo de delação premiada em troca da possibilidade de redução da pena e, em depoimento à Polícia Federal, denunciou a participação de senadores, deputados federais de três partidos (PT, PMDB e PP), governadores e um ministro como beneficiários de um esquema de pagamento de propinas em contratos com fornecedores da Petrobras.
Ele foi preso em março durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado R$ 10 bilhões. Costa é suspeito de ter intermediado contratos da Petrobras com empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef, também preso e apontado como chefe do suposto esquema.
Os depoimentos da delação premiada de Paulo Roberto Costa ao Ministério Público têm ocorrido diariamente, na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Como a investigação corre em segredo de justiça, PF não revela o conteúdo dos depoimentos.
Vital do Rêgo fez a solicitação de autorização para ouvir Paulo Roberto Costa ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal, que também está encarregado de ações penais decorrentes da Operação Lava Jato. O juiz, no entanto, repassou a solicitação ao ministro Teori Zavascki, já que os depoimentos de Costa envolvem parlamentares que têm foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal.
Na decisão em que declara que a CPI mista tem competência constitucional para ouvir Paulo Roberto Costa sem precisar de decisão do STF, Zavascki ressalta que o ex-diretor da Petrobras tem "garantias constitucionais" a serem observadas pelo Legislativo, como o direito de permanecer em silêncio na audiência.
O depoimento
Diante da possibilidade de Paulo Roberto Costa se negar a esclarecer aos parlamentares detalhes sobre o esquema de corrupção na Petrobras, integrantes da CPI mista cogitam negociar uma sessão secreta – fechada à imprensa – a fim de garantir que o ex-diretor se sinta mais à vontade para responder às perguntas do colegiado.
“A intenção é fazer uma sessão aberta. Agora, isso [sessão fechada] pode ser pedido pelo próprio depoente”, declarou o relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS).
Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras deverá se recusar a responder os parlamentares.
“Até porque uma das obrigações que ele tem para poder receber o benefício da delação premiada é manter o sigilo”, disse

Nathalia Passarinho

Licença para roubar

Licença para roubar: delação premiada (Petrobras)



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Com base nos viciados costumes sociais, políticos e mercantilistas tradicionais da nossa história, a sensação nítida que brilha como o sol do meio dia é a de que alguns donos do poder concederam a si mesmos a liberdade impudica e despudorada para roubar impunemente. Por roubar, em sentido amplo, devemos compreender o corromper (e ser corrompido), o furtar, o extorquir, o parasitar, o se enriquecer ilicitamente etc. Em lugar da moral, prudência, moderação, trabalho, estudo, aplicação, dedicação e afinco, toda nossa história está paradigmaticamente marcada pela corrupção, temeridade, intemperança, ociosidade, ignorância, dissipação e degeneração.
Costumamos atribuir esses deploráveis vícios somente para a política e os políticos, porém, verdade seja dita, da arena política essas máculas saltaram também para as relações sociais (para a sociedade civil, ou vice-versa). De qualquer modo, não há como não reconhecer que o singular mundo político, no extravasamento exuberante de todos os vícios citados, conta com a dianteira, porque habituados à falsificação de atas e de urnas, à fraude da lei, às artificiosidades das chicanas judiciais, à traição dos amigos, à renegação dos princípios, ao rebaixamento dos níveis mínimos das posturas éticas, ao aviltamento dos costumes, resumindo toda a moral no triunfo e no bom êxito eleitoral, que se transformou de meio em fim (veja Jornal de Timon, de João Francisco Lisboa, p. 309-10).
A escola indecorosa e degradante da vida política brasileira, irrigada pela infindável falta de escrúpulos de alguns mancomunados agentes econômicos e financeiros, conta com fronteiras cinzentas, surpreendendo a cada dia no avanço dos seus horizontes: os vícios e os crimes têm se multiplicado de uma forma espantosa e abominável, eliminando-se todo tipo de discernimento entre o lícito e o ilícito, entre o justo e o injusto, entre o moral e o imoral, tudo como fruto de um embotamento ético assaz preocupante.
De vez em quando, particularmente quando o desvio do dinheiro público se torna ostensivo ou abusivamente excessivo, o esquema adredemente planejado (de imunidade dos donos do poder) foge do controle. É nesse momento que a polícia apresenta algum seletivo êxito.
Quando o malfeito é descoberto, toda a cumplicidade criminosa entre os partidos e o mundo empresarial é posta em xeque. Rompe-se a regra geral do silêncio conivente, sobretudo e primordialmente por meio da delação premiada, da qual agora está fazendo uso in extenso o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
A delação premiada, na medida em que implica uma traição e “deduragem” de terceiras pessoas, é (eticamente) uma imoralidade, mas que se tornou útil e até mesmo necessária (dizem seus sectários) naqueles países com capacidade investigativa falida ou sensivelmente enfraquecida (como o Brasil). Quando os países se sentem impotentes para descobrir em toda sua extensão os mais hediondos e nefastos crimes contra a coletividade, sobretudo dos poderosos, eles se juntam ao criminoso, para captar a sua prestimosa colaboração.
A colaboração premiada, prevista na nova lei do crime organizado (12.850/13), da qual a delação é uma espécie, permite ao delator quatro tipos de premiação: 1) perdão judicial, 2) diminuição de 2/3 da pena, 3) sua substituição por penas restritivas de direito ou 4) abstenção do início do processo.
É preciso que a delação seja efetiva, ou seja, que produza concreto resultado positivo durante a investigação ou no curso do processo (identificação de coatores ou revelação da estrutura do crime organizado ou localização de vítima ou recuperação total ou parcial do produto ou proveito do crime). O prêmio é aferido conforme a efetividade da colaboração.
Todos os resultados práticos citados são relevantes, mas especial atenção deve merecer a restituição do “roubado”, por quem tem condições e bens para fazer a restituição. Quem se apropria do alheio deve ser privado do próprio (já dizia Beccaria, em 1764 – veja nosso livro Beccaria 250 anos, Saraiva -, que sinaliza e benfazeja a pena de empobrecimento como adequada para essas situações).
Quem desse tema cuidou com acuidade invejável, no entanto, foi o padre Antônio Vieira (1608-1697), autor de uma vastíssima obra moral-religiosa, de notável e distinguido cunho crítico. No seu festejado Sermão do Bom Ladrão, o autor nos deixou como legado um veemente discurso a respeito da ladroagem que grassava em seu tempo (e que não se arrefeceu com o passar dos tempos). Para ele o ladrão que tem bens com que restituir o que roubou (como é o caso do Paulo Roberto Costa, cujas contas bancárias na Suíça ascendem a mais de US$ 25 milhões de dólares), toda a sua fé e toda a sua penitência não bastam para o salvar, se não restituir.
Recorda P. Antônio Vieira (segundo sua lógica moralista-religiosa) que nem mesmo Cristo, na cruz, prometeria o Paraíso ao ladrão sem que restituísse (podendo) o que surrupiou. Cristo, para Dimas, disse: Hoje serás comigo no Paraíso. Para Zaqueu afirmou: Hoje entrou a salvação nesta tua casa. A salvação do ladrão Dimas foi instantânea; a do larápio Zaqueu foi adiada. Qual a diferença?
P. Antônio Vieira explica: “Dimas era ladrão pobre e não tinha com que restituir o que roubara; Zaqueu era ladrão rico, e tinha muito com que restituir; Dimas era ladrão condenado, e se ele fora rico, claro está que não havia de chegar à forca; porém Zaqueu era ladrão tolerado, e a sua mesma riqueza era a imunidade que tinha para roubar sem castigo, e ainda sem culpa” (Sermão do Bom Ladrão, p. 27). Zaqueu somente foi perdoado quando prometeu restituir o roubado em quádruplo. Moral da história: “A salvação [do ladrão rico] não pode entrar [não pode acontecer] sem se perdoar o pecado, e o pecado não se pode perdoar sem se restituir o roubado”.
Publicado por Luiz Flávio Gomes 

Em 'guerra',

Em 'guerra', PT mira Marina, acerta o setor privado e queima pontes. O pragmatismo pode sair caro

imageTrecho da propaganda da Dilma sobre o pré-sal (Reprodução)
"Estamos em guerra", explica um dirigente petista ao justificar a saraivada de tiros disparados contra Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, nas últimas semanas.
Na reta estão não apenas a exploração da hesitação da ex-senadora em se posicionar sobre temas que exigem soluções práticas e não rodeios retóricos. Por exemplo, não se sabe exatamente o que a candidata quer dizer quando defende ser necessário saber onde a bola estará, e não onde ela está, ao relacionar seus compromissos com a exploração do pré-sal e a busca por energias alternativas. Nem o que significa contar com os “melhores quadros” do PT e do PSDB em uma futura gestão.
Quem separaria o joio do trigo? A própria candidata? Como? Em testes de múltipla escolha? Mais: definida sua equipe, com que cara ela se sentaria à mesa para iniciar o diálogo com os peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros, citados pelos marinistas como representantes da “velha política”, e que devem sair das eleições como os principais líderes do Congresso?
São perguntas pertinentes que todos, e não apenas os adversários, devem se fazer em uma campanha eleitoral. Explorar as contradições de um rival conforme a ocasião faz parte do jogo político, goste-se ou não dele.
Mas uma coisa é questionar. Outra é perder a linha.
Capitaneada pelo marqueteiro João Santana, o que a campanha petista tem promovido na TV e nas redes é um festival de sofismas, aquelas ideias que partem de pressupostos corretos para chegar a conclusões falsas. Ou rasas. Ou desonestas.
Marina é acusada de querer acabar com benefícios sociais, como o Bolsa Família, de ameaçar os empregos e de travar, em sua gestão como ministra do Meio Ambiente, obras estruturantes para a população, como as hidrelétricas. Como se tivesse poderes para isso.
Seus apoiadores também estão na mira. Exemplo disso é a forma como uma assessora de Marina Silva, a educadora Neca Setúbal, é tratada pelos rivais pelo fato de ser herdeira do Banco Itaú. Como se o sobrenome da apoiadora, somado à proposta mambembe de autonomia do Banco Central, significasse que em 1° de janeiro de 2015 a política econômica estará entregue nas mãos de banqueiros - ou melhor, do banco da família Setúbal.
O ataque parte de um partido que em 2002 chamou um ex-dirigente do BankBoston para presidir BC, numa tentativas de acalmar os mercados após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva – o mesmo presidente que, vale lembrar, sempre se gabou de que nunca os bancos e os empresários ganharam tanto dinheiro como em seu governo.
Ele tinha razão para se gabar. Era a única liderança política de seu tempo capaz de dialogar, transitar e criar pontes entre os andares de cima e de baixo. Então por que, quatro anos depois, o partido decide agora demonizar empresários e banqueiros, apresentados na TV como coiotes a devorar as sobras do que seria, em um segundo governo Dilma, e só em um segundo governo Dilma, investido na saúde e na educação?
“Porque dá voto, estúpido”, dirão os pragmáticos. Pode ser: pelas pesquisas de intenção de voto, Marina estancou de repente. E parou de crescer. Mas será que isso não aconteceria naturalmente pelo simples fato de Marina, uma vez favorita, passasse a ser escrutinada com mais atenção? E se, em vez de perder a esportiva, o estafe petista apenas levasse a presidenta a público para dizer: “Nossos números são esses, nossas propostas são essas. Estejam à vontade para escolher”.
“Mas guerra é guerra”, dirão, mais uma vez, os pragmáticos, ancorados no discurso de realpolitik que desde 2002 tem servido para as guinadas mais heterodoxas.
Pois foi o próprio ex-presidente Lula quem encerrou a campanha de 2010 dizendo que José Serra, candidato derrotado no segundo turno contra Dilma Rousseff, saía da eleição menor do que entrou. Era verdade: no auge do desespero o tucano escalou a esposa para dizer aos eleitores que, caso eleita, Dilma legalizaria o aborto e “mataria criancinhas”.
Eu estava na fila de repórteres na entrevista coletiva após o então presidente votar em um colégio em São Bernardo do Campo (SP) e testemunhei o desabafo: “Essa campanha foi muito mais violenta de uma parte do que de outra. Eu sinceramente acho que o candidato Serra sai menor dessa campanha. Sai menor. Porque a agressividade deles contra a companheira Dilma Rousseff é uma coisa que eu imaginava que já havia terminado na política brasileira”, disse. “Eu fui candidato cinco vezes. Das cinco vezes eu perdi três e vocês nunca me viram com a agressividade que teve nessa campanha. Nunca.”
Ao eleitor que se lembra daquela declaração, cabe a pergunta: o que mudou em 2014? Mudou a ocasião, insistirão os pragmáticos. Porque, se Dilma Rousseff não ganhar agora, no primeiro turno, na segunda etapa a história é outra.
O PT joga, portanto, como se a atual campanha fosse o último jogo da sua vida. É aí que o pragmatismo vira visão estreita de mundo. A ofensiva se assemelha à estratégia militar de quem ganha ou retoma territórios à medida que empurra o inimigo para longe de seus domínios. Em retirada, os soldados queimam as plantações, as pontes e os canais de comunicação.
O problema é que, apesar da metáfora, não estamos em guerra, e do outro lado da ponte estão justamente as bases de um futuro governo. Falta avisar o marqueteiro que estas pontes queimadas podem travar um futuro quarto mandato petista.
Dilma começou a campanha às turras com o setor privado, que vê em seu governo uma ingerência excessiva em áreas estratégicas e não a quer reeleita. A resposta é, no mínimo, esquizofrênica: ela degolou seu ministro da Fazenda, alvo preferencial das críticas do mercado, como um aceno de que está disposta a mudar o que precisa ser mudado. Ao mesmo tempo, pinta, em sua propaganda da TV, o setor privado como inimigos do país a serviço dos adversários. Não parece ser a melhor forma de reconstruir pontes, um dos objetivos da estratégia de comunicação que tenta dissociar a presidenta da imagem de liderança avessa ao diálogo.
“Mas guerra é guerra e as pontes serão restabelecidas no tempo certo”, arrematarão os pragmáticos, talvez ignorantes da rebelião ensaiada pelos empresários antes mesmo do fim da campanha (muitos relataram o incômodo em reportagem publicada nesta sexta-feira 12 à Folha de S.Paulo). A confusão de metáforas de natureza bélica, nesse sentido, pode ser fatal a médio e longo prazo, como ilustrou, ou deveria ilustrar, a campanha desastrosa da seleção brasileira na Copa do Mundo no Brasil, quando os jogadores pilharam tanto na ideia de que estavam em guerra que simplesmente travaram. Choraram, litaram, bateram no braço. E perderam o que tinham de melhor: a criatividade.
Guerra era guerra, dizia, à sua maneira, o técnico Luiz Felipe Scolari ao fim de cada partida. Cada adversário despachado vinha com um saldo de baixas. Entre mortos e feridos, o resultado era o objetivo a ser atingido, mas aquele não era o time que todo mundo aprendeu a admirar.
Na penúltima trincheira, o jogo contra a Colômbia, a equipe tanto bateu que, no revide, perdeu seu melhor jogador. Entrou contra a Alemanha com um time desfigurado e saiu destroçado. Não perdeu só o jogo, mas a chance de cair de pé, sob aplausos, digno de memórias. Será para sempre lembrado como “a velha forma de fazer futebol, atropelada pelos jovens  e modernos alemães”. Pois é. Guerra era guerra. E uma guerra todos sabem como começa, mas nunca como termina. 
*Reprodução da propaganda de Dilma sobre uma reunião de executivos em um eventual governo Marina Silva